Tip of the Week: Prince Books

De passagem pela Rua Oscar Freire, uma janela com livros de coffee table contida em um minimalista paredão branco ao lado da Pracinha Oscar Freire me chamou a atenção. Dando uma aproximada, pude ver, ainda do lado de fora, uma estante recheada com revistas importadas – todos os títulos que você puder imaginar. Obviamente, fiquei logo tentada para descobrir o que mais tinha no interior daquele simpático espaço: a livraria/revistaria Prince Books. Um agradável terraço para descansar e tomar um cafézinho dá as boas vindas a um completíssimo estoque recheado com livros e revistas nacionais e estrangeiros focados principalmente em Moda, Fotografia, Design, Decoração, Arquitetura, Gastronomia, Artes e Turismo. É o paraíso dos coffee table books!

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Na foto acima, o corner de moda; tinha todos os nomes que você puder imaginar! De Chanel a Louboutin – muitos são livros limitados, para colecionadores. Os meus favoritos foram os de Ralph Lauren e Kate Spade.

Para fãs de revistas, livros e os mais diferentes nichos da arte, vale a pena conhecer (e pirar!)

Coordenadas
Prince Books
Rua Oscar Freire, 974 (entrada alternativa pela Rua Da Consolação, 3427)
Instagram: @princebooks

Trabalho: Música Erudita para Universitários

Para a aula de Comunicação Comparada, tivemos que cobrir um evento cultural, e transformar esta cobertura em qualquer tipo de mídia: texto, áudio, vídeo. Fizemos em um formato para a rádio.

Confira o resultado abaixo!


Créditos:
Reportagem, Produção e Voz (1ª voz): Carolina Mikalauskas Sanches
Edição de texto e Voz (2ª): Júlia Storch

Massimiliano Fuksas on Tbilisi’s mix of old and new architecture

Tbilisi’s architecture is a reflection of the city’s history. Byzantine, Classic and Soviet influences combined with traditional local Georgian features make the city one of a kind. However, over the last few years, a spree of modern and futuristic buildings was built in Georgia, adding to the country’s rich architectural identity. “It is important for every country to combine its great cultural tradition with contemporary architecture to create part of the country’s history of the future,” believes Italian architect Massimiliano Fuksas, founder of Studio Fuksas and one of the names behind Tbilisi’s modernization projects. “Tbilisi has a relevant historic legacy, which unfortunately has been left without any maintenance for the last 15 years. In this context, the plans to regenerate the city not only include the rehabilitation of the landmark of Tbilisi’s Old Town, but mostly to incorporate the requirements of a modern functional city,” the architect adds. Asked about the contrasting mix of modern and traditional architecture in Tbilisi, Fuksas believes that those are coexisting elements: “The best way to experience a city is to guarantee high architectural quality that is able to communicate and represent the various epochs of history. Tradition and innovation need to be combined together to provide a contemporary urban and architectural solution.”

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Photo Credits: fuksas.it

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Photo Credits: fuksas.it

The new Tbilisi Public Service Hall is one of Fuksas’s most recent creations in Georgia. According to him, the concept of the building comes from the flower symbol – in his words, “a recognizable symbol related to rebirth.” Inspired by nature, the building is covered by 11 huge petals, with long and strong steel, tree-like columns supporting the roof, resembling a forest. To Fuksas, “the most interesting challenge in the design phase was to combine the idea of the project with the functions of the building.” The first floor of the Tbilisi Public Service Hall is the ‘main square’, where the activities for the public are aggregated, while the offices are on different levels, linked by walkways.

Apart from the Public Service Hall, which was finished in 2012, Studio Fuksas has another landmark project in progress in Tbilisi, the Music Theatre and Exhibition Hall in Rike Park, not far from the Public Service Hall on the other bank of the Mtkvari River. According to Fuksas, “the design concept aims to express poetically the changes and renovations that are happening now in Tbilisi. Special attention is given to technology and building techniques.” Like the design of the Milan Trade Fair, a “structure designed for communication and exchange of ideas,” the Music Theatre and Exhibition Hall in Tbilisi breathes the latest technology not only in its design, but also in its system. Fuksas’s work is an equation that results in high tech, inside and out, a combination of “innovative forms, record size, total usability, highly advanced technological equipment [resulting in] the utmost in spatial design.”

Fuksas says: “Inspiration can come from everywhere, from everyday life. The only thing that I can say is that I’m not always searching for inspiration; so I don’t look for it, but in the end I find it anyway.” He adds, “I’ve never seen myself as an architect in the strict sense. The thought process that lies at the root of my work is more similar to that of a visual artist. For example, I’ve always said that architecture, when successful, turns into sculpture. Afterwards, it has to turn into something more, too. In fact, architecture is something that belongs to the city, to the people, to everyone. Furthermore, it also must be able to integrate new buildings and their history. In order to do this, there is a need to find a dialogue between actors and spectators as well.”

For Fuksas, creating a new project is “an emotional matter. We can talk about what comes first and what comes next, but the birth [of an idea], which is the focus point, has something miraculous, unintelligible, unique and unrepeatable. It is something that fills an empty space. For several days, I sketch ideas and craft models, I paint on canvas. The idea springs from the investigation when it wants to, not when I want it to. When a new project is completed, I just feel amazement and pride.”

Artigo escrito para a revista Made in Tbilisi, em Janeiro de 2014

Zuzu e a Ditadura: militância através da moda

Ocupação Zuzu é uma incrível e interativa exposição do Itaú Cultural, em homenagem à estilista mineira Zuleika Angel Jones. Zuzu começou sua carreira costurando para ela e para os filhos, até se encontrar em projeção no cenário da moda, tanto brasileiro, quanto – principalmente – o internacional. Fez grande sucesso no exterior com suas estampas e temáticas típicas brasileiras: alegres, tropicais, com flores e pássaros. Em sua lista de clientes, constaram primeiras-damas e celebridades internacionais, como a atriz Liza Minelli. Zuzu Angel, etiqueta da alta sociedade, foi precursora da brasilidade na moda, e costumava afirmar: “eu sou a moda brasileira!”.

A exposição não leva o nome à toa: é literalmente uma ocupação de quatro andares no prédio do Itaú Cultural. Logo no térreo, está a primeira parte da exposição: uma cronologia história, correlacionando fatos sobre a estilista, a situação histórica do Brasil e trechos de música e literatura, além de livros sobre moda e vídeos, incluindo a última entrevista de Zuleika dada à mídia, pouco antes de seu assassinato.

Ao subir o primeiro andar, o visitante é acolhido por um letreiro luminoso com o nome ‘Zuzu’. Em um amplo espaço, estavam espalhados os figurinos, croquis, estampas e bordados alegres de Zuzu. Ainda, havia revistas em que o trabalho da estilista foi exposto, e até mesmo sacolas, fitas e cartões de visita que eram utilizados em sua loja. Uma salinha no canto do salão reproduziu o seu atelier. Definitivamente o meu andar preferido, onde foi possível sentir o sucesso que foi a marca que teve um anjinho como logotipo.

No primeiro andar abaixo do térreo, está o espaço dedicado ao Luto de Zuzu Angel. Uma parte de grande teor emocional, tema e paredes pretas, que dão ênfase à fase sofrida da estilista, durante os chamados ‘Anos de Chumbo’. A partir do assassinato de seu filho, Stuart Angel, grande ativista durante o regime militar, em 1971, Zuzu passou a viver e trabalhar a partir de seu luto. Não só vestia-se apenas de preto quando em público, mas também usou seu ofício como uma majestosa forma de protesto – a alegria tropical fora trocada por temas militares e obscuros. Seus bordados costumeiros  passaram então a ser representados por anjos feridos, canhões de guerra, pássaros engaiolados e outros desenhos que transparecessem o seu sentimento mais profundo em um tempo de terror. Dessa forma, Zuzu Angel foi a primeira estilista brasileira – e provavelmente, também internacional – a usar a moda como um protesto e denúncia à política.

Os destaques para este andar são, além dos figurinos, estampas e bordados de luto da estilista, documentos e cartas da busca incessante, escritas para diversos remetentes, como amigos e até governantes americanos, a partir do momento do desaparecimento de seu filho, até o dia do acidente de carro premeditado que matou Zuzu Angel. Em uma parede, ondas do mar são projetadas, ao mesmo tempo em que o som da maré dá o tom ao ambiente. Ainda, o visitante pode escrever uma carta a um conhecido desaparecido durante a época do Regime Militar.

O segundo andar abaixo do térreo foi dedicado a um espaço interativo, onde durante o período da exposição, ocorreram interessantes e enriquecedores oficinas e discussões sobre moda, política e comunicação, e que contaram com importantes nomes da moda brasileira como Ronaldo Fraga, Isabela Capeto e Hildegard Angel, filha de Zuzu Angel. Neste andar, um grande painel com uma estampa, em preto e branco, não finalizada por Zuzu, esteve à disposição para que os visitantes lhe dessem continuidade. Com canetinhas coloridas, muitos pintaram os ramos de flores e pássaros aprisionados, enquanto outros utilizaram o espaço para deixar uma mensagem em homenagem à estilista.

abril/2014