Jornalismo e o mundo

(Fevereiro-2014)

Em Aula Magna da Faculdade Cásper Líbero, Sérgio Dávila compartilha com os alunos de jornalismo suas experiências como correspondente internacional.

Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de São Paulo, possui em sua carreira uma memorável experiência como correspondente internacional. Em 2000, foi enviado pelo jornal aos Estados Unidos, atuando como correspondente pela Folha em Washington e Nova York. Não somente início de um novo milênio, o ano de 2000 trouxe uma série de acontecimentos importantes para o cenário mundial, os quais Sérgio Dávila teve a oportunidade de cobrir. Segundo o jornalista, foi uma questão de ‘estar no lugar certo, na hora certa’.
Um ano após a sua mudança para os Estados Unidos, em 2001, Dávila cobriu o ataque ao World Trade Center em Nova York, atentado que chocou o mundo. Ele conta que viu, de uma distância muito pequena, a segunda torre desabar. Na manhã do dia 12 de setembro, teve a chance de se aproximar dos escombros das Torres Gêmeas – o que o levou, neste mesmo dia, a escrever uma de suas reportagens mais marcantes. Em sua temporada americana, Sérgio Dávila fez a cobertura de três eleições presidenciais: a de George W. Bush, em 2000, sua reeleição, em 2004, e a primeira eleição do atual presidente, Barack Obama, em 2008.
Enquanto correspondente na Califórnia, estudou na Universidade de Stanford, como bolsista pela Knight Foundation, entre 2004 e 2005. Dávila conta que nesta época, morou na rua de Mark Zuckerberg, criador do Facebook, e a apenas 5 quarteirões do criador do Twitter. Sérgio Dávila relembra que a década em que viveu nos Estados Unidos foi muito importante de se viver no país. Além disso, para ele, era um privilégio receber todo dia na porta de sua casa edições do The New York Times e da revista The New Yorker, veículos de grande prestígio mundial.
A cobertura das guerras do Iraque e do Afeganistão foi outro grande momento para a sua carreira. Através da reportagem sobre a guerra do Iraque, do dia 20/03/2003, tentou ao máximo retratar as emoções presentes nas cenas que vivenciou – Sérgio Dávila foi o único jornalista brasileiro presente no local. De acordo com ele, o segredo para lidar com situações comoventes é se distanciar destas o máximo possível.
Para que um jornalista esteja apto a fazer coberturas envolvendo risco de vida, como guerras e manifestações, é recomendável a participação em cursos de sobrevivência, que simulam situações de emergência que podem ser encontradas pelo caminho. Dávila participou do curso Caeco Paz, ministrado pela ONU na Argentina, e também participou de um curso de reconhecimento de armas, ministrado pela BBC de Londres. Além disso, o jornal segue um protocolo de segurança: existem materiais como capacetes, máscaras de gás, óculos antiestilhaço e coletes a prova de balas disponíveis para o repórter – que é convidado, e não obrigado a participar de tais reportagens.
Desde que assumiu o cargo de editor executivo da Folha de SP, Sérgio diz que escreve ‘menos do que antes e não na frequência em que gostaria’. Contudo, retornou ao Iraque, em Março de 2013, para cobrir os 10 anos da guerra. Suas experiências internacionais deram origem a dois livros: “O diário de Bagdá”, e “Nova York: antes e depois do atentado”.

Na cabeceira: Os Bastidores de uma Tragédia

Antes de publicar Hiroshima, o jornalista norte americano e vencedor do prêmio Pulitzer John Hersey atuava como correspondente no Oriente, durante a o período pós-guerra, para as revistas Life e The New Yorker. Graças a sua proximidade com o continente asiático, foi um dos primeiros jornalistas a estar presente no local após o lançamento da bomba de urânio Little Boy, na cidade de Hiroshima, em 1945. Estar no local certo, na hora certa resultou uma reportagem que trouxe ao mundo, principalmente aos americanos, uma diferente abordagem do acontecimento – a visão dos fragilizados e altruístas sobreviventes japoneses.

A princípio uma longa reportagem publicada em uma edição inteira de 31 de agosto de 1946 da revista The New Yorker – data de aniversário da bomba que devastou a cidade japonesa, foi posteriormente transformada em livro, tamanha sua repercussão. Hiroshima conta de modo extremamente detalhado e com aprofundamento sentimental os bastidores da tragédia que assolou o mundo. Um leitor desinformado poderia, assim, erroneamente pensar que a obra se trata de uma história ficcional baseada em um acontecimento real, mas com personagens criados pelo escritor. Efeito este do New Journalism, gênero literário que procura contar fatos reais com técnicas de ficção o qual, com esta obra, John Hersey é um precursor.

Em 5 capítulos, o autor reporta a história já conhecida pelo mundo de uma forma humanizada, através da perspectiva de seis hibakushas – nome dado às vítimas sobreviventes da bomba atômica – contadas através de relatos orais concedidos ao autor. O primeiro capítulo, Um clarão silencioso, mostra para o leitor como os personagens levavam suas vidas antes da tragédia que dizimou mais de 100 mil pessoas – o que faziam, a qual proximidade do epicentro da bomba se encontravam. Com estilos de vida muito diferentes, um médico endinheirado, um residente de medicina, uma viúva e seus filhos, uma jovem, um padre alemão e um reverendo japonês viviam com o temor do bombardeio, e como já era de se esperar, foram pegos de surpresa quando a bomba fora lançada.

Os capítulos intermediários – O fogo, Investigam-se os detalhes e Flores sobre ruínas – descrevem a devastação da cidade, o pânico em que suas vítimas se encontraram após o bombardeamento, a tentativa de sobreviver, e mostram com grande ênfase uma louvável característica japonesa – de cuidar e ajudar o próximo, mesmo em um momento tão difícil. Todos os sobreviventes tornaram-se iguais em uma questão de segundos. Ainda, Hiroshima acompanha as péssimas condições de saúde dos hibakushas, sua recuperação, e por fim, a tentativa dos personagens em reconstruir suas vidas após o trauma.

Depois da catástrofe, quinto capítulo do livro e escrito certo tempo depois do lançamento de Hiroshima, fecha a obra com chave de ouro. Quarenta anos após a publicação do artigo, John Hersey retorna ao Japão para mostrar as consequências e os efeitos que a bomba teve na vida dos seis hibakushas personagens de seu relato.

 

Jornalismo de Moda na Semana de Jornalismo

Original: http://casperlibero.edu.br/jornalismo-de-moda/ (cobertura sobre a mesa ‘Jornalismo de Moda’, durante a 22a Semana de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, para o site da mesma)

A mesa sobre jornalismo de moda da 22ª Semana de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero foi de tamanho sucesso que lotou a sala Aloysio Biondi, mostrando assim que não é pequena a procura por estudantes em trabalhar no mercado da moda. Com a mediação da professora Filomena Salemme, a mesa teve a participação da consultora de moda e ex-editora da revista Elle, Jussara Romão, do professor e coordenador do curso de jornalismo, Carlos Costa, que também dirigiu a revista Elle, entre 1966 e 1999, e da aluna do 4º ano de jornalismo, Marina Espindola, criadora do blog e TCC Costanza Who?

Artista plástica por formação, Jussara Romão decidiu que queria trabalhar com moda ao ter pela primeira vez uma revista Vogue em mãos. Foi paixão à primeira vista. Ela queria, então, trilhar uma profissão que não era considerada de muita importância – a de jornalista e produtora de moda. A vida de um jornalista de moda é charmosa e interessante. Mas não é só de uma vida de glamour que é feita sua profissão: tem muito trabalho por trás das belas reportagens encontradas nas revistas. Segundo Jussara Romão, chega uma hora que o ritmo frenético das “Fashion Weeks” cansa. Mas como admite Carlos Costa: “o bom de nossa profissão é que não vamos morrer de tédio”.

Marina Espíndola, prestes a se formar jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, comanda o blog Constanza Who?, que na verdade surgiu como o seu projeto de TCC – o trabalho de conclusão de curso. Ela acredita que, para os estudantes de jornalismo, blogs são uma ótima forma de criar um portfólio de seus trabalhos. Marina e Jussara falaram sobre a grande popularidade dos blogs de moda quando surgiram, pois trouxeram a moda como experiência pessoal do blogueiro ao vestir certa peça de roupa ou usar determinada maquiagem. Assim, tiveram o diferencial de levar para o leitor a individualidade, atingindo muito mais as pessoas com a sua linguagem do que os textos dos editoriais das revistas. Foram eles que começaram a propor a ideia de ser diferente, de não vestir exatamente o que as revistas sugerem, e sim criar suas próprias referências.

E esse movimento atingiu as passarelas, segundo Jussara. Ela mencionou o próprio desfile da Chanel, que havia acontecido na manhã de terça-feira: as modelos encerraram a apresentação como se estivessem em um protesto pelos direitos das mulheres e de autonomia fashion. O próprio cenário recriava as ruas de Paris e modelos seguraram cartazes com dizeres “Seja você mesma!”. “Quer mais transformação que isso?”, narrou Jussara. E ela continuou afirmando “Hoje a passarela representa o que está acontecendo na rua”. Os grandes estilistas perceberam isso, a superação da rua na expressão individual de cada um, e eles levam cada vez mais tendências do streetsyle para as passarelas.

Segundo o professor Carlos Costa, o mundo da moda é divertido, porém pouco valorizado. Muitos vêem a área da moda como superficial e fútil. No entanto, os convidados provaram o contrário, e o preconceito com que o jornalismo de moda é encarado hoje foi bastante discutido. “Deve-se pensar que o segmento da moda é um campo sério, que exige pesquisa e preparo”, afirmou o professor, que também cuidou dos textos das grandes reportagens do conceituado Fernando de Barros, quando esse grande personagem da moda editava as páginas de estilo da revista Playboy. Como qualquer outro segmento de produção e consumo, o mercado da moda é bem expressivo, correspondendo a cerca de 15% do Produto Interno Brasileiro.

Todos os convidados ressaltaram, então, a importância de estudar a moda com profundidade e dedicação. Ter conhecimento sobre um assunto é fundamental para basear opiniões, influenciar com o pensamento, e direcionar o mercado. “Ninguém nasce autodidata, precisamos estar constantemente lendo. Como dizia Gonzaguinha: ser eternos aprendizes”, afirmou Costa. E tão importante quanto o conhecimento, o jornalista deve criar sua assinatura própria, a voz de sua personalidade, o que acaba sendo o seu diferencial. “Se você não estiver muito apaixonado, tudo será difícil. Não será prazeroso”.

Jussara Romão esteve à frente do reposicionamento da loja de departamentos Renner, e aceitou o desafio de criar uma revista que gerasse o desejo do consumidor. Geralmente, profissionais da moda se arrepiam ao pensar em trabalhar com grandes lojas de varejo. Catálogos e propagandas de marcas populares normalmente não são feitos com tanto empenho e qualidade como os das grifes de alta costura. Criar a revista da Renner foi então um trabalho que Jussara agarrou: ela quis criar o melhor que pudesse: “Vou fazer tudo o que gostaria de receber se fosse cliente. Vou tratar como se [a Renner] fosse a Chanel”. Reuniu uma equipe sem preconceitos, que queria de fato construir algo novo. O intenso trabalho foi um grande sucesso, que alcançou o objetivo de reposicionar a marca no mercado. Jussara trabalhou com a construção de sensações que, segundo ela, é o papel da comunicação, de aproximar o público: “jornalistas são vendedores; eles vendem as marcas, constroem uma imagem, que vai fazer com que o consumidor tenha desejo de adquiri-la”.

No final, Jussara sorteou seu novo livro, Arquivo Urbano – 100 anos de Fotografia e Moda no Brasil, e ainda brincou: “O livro vai cair nas mãos certas!” Indicado ao Prêmio Jabuti, seu trabalho retrata a trajetória da moda brasileira sob o ponto de vista comportamental, com o uso de fotos de família. Encerrou com chave de ouro uma excelente mesa, que deixou cada pessoa presente com um sorriso estampado no rosto: “Acreditem em seus sonhos. Vocês estão escolhendo um caminho que amam. Estudem. E não percam a oportunidade de fazer a diferença. Boa sorte!”.

Explicações?

Por milagre, consegui encontrar alguns posts dos ‘tempos áureos’ do Xoxglam, entre 2009 e 2011. Confesso que fiquei bastante satisfeita em ver que olhando agora, nem tudo o que eu escrevia era abobrinha, e encontrei textos que achei bem maduros (considerando que na época eu tinha por volta de 16 anos), aos quais ainda me identifico. Esse, principalmente, esclarece o porquê de eu ter ficado sem fazer um post por 4 anos. Só alguns esclarecimentos/mudanças de pensamento: a)não estou mais perdida, nem sem perspectiva em relação ao meu futuro, tá? b) Nem sempre imagens valem mais que mil palavras. Mais fácil ter uma imagem vazia que palavras de conteúdo. c) Ainda acho que blogs perderam sua essência, depois de todo esse boom das blogueiras. Mas são tempos novos, não? Temos que inovar, de qualquer jeito. d) Agora, depois de tanto tempo, volto com várias ideias e mais vontade do que nunca de manter o meu ‘blog’!

May 6th, 2011

Com certeza vocês já devem ter notado minha falta de posts e comprometimento como eu tinha antes, e isso não é porque esqueci do blog ou que não goste mais de moda. Muito pelo contrário! Quando, no começo, resolvi começar o blog, foram inúmeros feeds assinados e revistas compradas pra me manter updated e não escrever qualquer abobrinha aqui… Até o início de 2010, era como um insulto para mim quanto alguém falava que a ‘fase’ da moda iria passar, tinha ainda 3 anos para decidir o que prestar para o vestibular. Ficava super irritada, porque afinal, como alguém poderia dizer isso sobre minha maior paixão? E com o blog, percebi que se eu fosse querer seguir a carreira de moda, não seria no estilismo (me arrepia só de pensar!), sim, no jornalismo, com graduação em moda! E o blog me ajudou a pensar assim.

Com a o boom na blogosfera, me sentia praticamente obrigada a acompanhar TUDO o que aparecia de novo para compartilhar no blog. E isso começou a me deixar cansada, desinteressada; o que feito por obrigação não é legal, né? Assim fui deixando de lado me hobby favorito. Sempre surgiam idéias para postar, mas só de pensar em abrir o wordpress e começar a escrever e editar imagens já me desanimava.

Até que parei pra pensar: porque criei este blog? Para me inspirar e compartilhar minhas OPINIÕES e GOSTOS com pessoas parecidas comigo, que gostem do mesmo assunto, pois se fosse ficar falando disso 24/7 no meu dia a dia, iria me passar por fútil. E a conclusão que tirei sobre tudo isso? O blog não foi criado como um meio profissional, de marketing ou seja lá como chamam hoje em dia, esó para eu me expressar sobre o assunto que mais gosto.

Sabe o que me influenciou a desabafar assim? Este post da Lilian, do Paris das Maravilhas, em que ela disse:“Não consigo abandonar a ideia de que blog é pra você escrever quando quer e quando tem inspiração.Os posts ficaram parados por um bom tempo porque, por mais que tenha 16 ideias de posts na minha listinha, eu não tenho tido a vontade de falar sobre elas.” E logo depois, vejo um super post da Bel, do De Viés, a favor da banalização dos blogs. Depois disso, não preciso falar mais nada né?

Lembro de quando comecei com blogs, em 2006. Tive um milhão de blogs pessoais, ficava HORAS E HORAS no Photoshop e Frontpage fazendo layouts, mechendo com php, css e html, lia inúmeros tutoriais. Fiz várias amizades virtuais na época, com meninas mais que parecidas comigo – e que sinto bastante falta. Fui a encontro de blogueiras, postava todo dia, disponibilizava recursos, participava de ‘concursos’ , enfim, tudo era tão despretensioso e divertido! E agora sinto como se tudo estivesse pesado. Aquela época me traz muita nostalgia e boas memórias. Porque tudo foi mudar? Não existem mais blogs como antes.

E voltando para faculdade x moda, quando olho para meu futuro, só sei que ele é incerto. Novas paixões surgiram, como fotografia, viagens, bem estar. Hoje penso que quero trabalhar com uma revista de moda. E quero ser multi-tasked: a fotógrafa, editora, autora, publicitária… Mas ainda tenho 1 ano e meio para descobrir, e até lá tudo pode mudar. Mas acho que o importante mesmo é escolher algo que me faça bem e feliz.

Mais como um desabafo do que uma explicação! Sei que muitos não vão nem ler essa bíblia (que eu cofcof admito que também cofcof não leria hahahaha), mas é mais como uma super ‘pensata’ para eu me orientar… E agora me sinto bem mais leve!! Para o blog, voto para o mais simples e básico, e pretendo fazer algumas alterações… Queria migrá-lo pro TUMBLR, ou postar em tal formato: mais imagens de qualidade, menos texto. “IMAGENS VALEM MAIS DO QUE MIL PRALAVRAS.” dot.