Na cabeceira: Os Bastidores de uma Tragédia

Antes de publicar Hiroshima, o jornalista norte americano e vencedor do prêmio Pulitzer John Hersey atuava como correspondente no Oriente, durante a o período pós-guerra, para as revistas Life e The New Yorker. Graças a sua proximidade com o continente asiático, foi um dos primeiros jornalistas a estar presente no local após o lançamento da bomba de urânio Little Boy, na cidade de Hiroshima, em 1945. Estar no local certo, na hora certa resultou uma reportagem que trouxe ao mundo, principalmente aos americanos, uma diferente abordagem do acontecimento – a visão dos fragilizados e altruístas sobreviventes japoneses.

A princípio uma longa reportagem publicada em uma edição inteira de 31 de agosto de 1946 da revista The New Yorker – data de aniversário da bomba que devastou a cidade japonesa, foi posteriormente transformada em livro, tamanha sua repercussão. Hiroshima conta de modo extremamente detalhado e com aprofundamento sentimental os bastidores da tragédia que assolou o mundo. Um leitor desinformado poderia, assim, erroneamente pensar que a obra se trata de uma história ficcional baseada em um acontecimento real, mas com personagens criados pelo escritor. Efeito este do New Journalism, gênero literário que procura contar fatos reais com técnicas de ficção o qual, com esta obra, John Hersey é um precursor.

Em 5 capítulos, o autor reporta a história já conhecida pelo mundo de uma forma humanizada, através da perspectiva de seis hibakushas – nome dado às vítimas sobreviventes da bomba atômica – contadas através de relatos orais concedidos ao autor. O primeiro capítulo, Um clarão silencioso, mostra para o leitor como os personagens levavam suas vidas antes da tragédia que dizimou mais de 100 mil pessoas – o que faziam, a qual proximidade do epicentro da bomba se encontravam. Com estilos de vida muito diferentes, um médico endinheirado, um residente de medicina, uma viúva e seus filhos, uma jovem, um padre alemão e um reverendo japonês viviam com o temor do bombardeio, e como já era de se esperar, foram pegos de surpresa quando a bomba fora lançada.

Os capítulos intermediários – O fogo, Investigam-se os detalhes e Flores sobre ruínas – descrevem a devastação da cidade, o pânico em que suas vítimas se encontraram após o bombardeamento, a tentativa de sobreviver, e mostram com grande ênfase uma louvável característica japonesa – de cuidar e ajudar o próximo, mesmo em um momento tão difícil. Todos os sobreviventes tornaram-se iguais em uma questão de segundos. Ainda, Hiroshima acompanha as péssimas condições de saúde dos hibakushas, sua recuperação, e por fim, a tentativa dos personagens em reconstruir suas vidas após o trauma.

Depois da catástrofe, quinto capítulo do livro e escrito certo tempo depois do lançamento de Hiroshima, fecha a obra com chave de ouro. Quarenta anos após a publicação do artigo, John Hersey retorna ao Japão para mostrar as consequências e os efeitos que a bomba teve na vida dos seis hibakushas personagens de seu relato.

 

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